Vacina contra HIV será testada pela primeira vez em humanos

Uma vacina contra o HIV será testada pela primeira vez no Brasil e em mais sete países da América e Europa em 2019.

A equipe responsável, que integra o Projeto Mosaico, anunciou nesta terça-feira (23) que testará uma vacina contra HIV em humanos nos EUA, Argentina, Brasil, Itália, México, Peru, Polônia e Espanha.

Os testes devem começar no final deste ano e vai envolver 3.800 voluntários de oito países da América do Norte, América do Sul e Europa, disse em coletiva de imprensa a cientista holandesa Hanneke Schuitemaker.

A pesquisa trabalha com vacinas desenvolvidas a partir de um “mosaico” de antígenos. A imunização comprime uma seleção de subtipos do HIV para poder induzir as respostas imunológicas contra a maior parte das variações do vírus presentes no mundo.

Os subtipos são mais ou menos predominantes de acordo com as separações geográficas. No sul do continente africano, o mais presente é o subtipo C e na Europa e nas Américas o vírus do subtipo B predomina. Os participantes desta fase de testes receberão, além das quatro doses da imunização, um pacote de prevenção contra o HIV que inclui o acesso ao PrEP (Profilaxia pré-exposição).

Os voluntários deverão receber, cada um, quatro doses da vacina, que reúne uma seleção de subtipos do HIV afim de estimular respostas do sistema imunológico do corpo contra a maior parte das variações de HIV existentes no mundo.

Os testes irão se concentrar em grupos de riscos, como no território africano que de acordo com a Unaids (Agência das Nações Unidas de Luta contra a Aids) ), naqueles países, elas representam quase 60% dos casos de incidência da doença.

Já na Europa e nas Américas os grupos de risco estão entre os homens que fazem sexo com homens e mulheres trans, de acordo com o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças), dos Estados Unidos.

Receberão a vacina de teste os indivíduos com idades entre 18 e 60 anos.

Estamos comprometidos em garantir que os resultados dos testes de vacina contra o HIV sejam generalizáveis para as populações que carregam o maior fardo da infecção pelo HIV, disse Susan Buchbinder, presidente do protocolo Mosaico e diretora do Bridge HIV no Departamento de Saúde Pública de São Francisco.

Muito antes do teste em seres humanos, esta mesma vacina já foi testada em ratos e macacos. O medicamento está em estudos há quinze anos.